
Os Parques naturais de Santo Antão
Os Parques Naturais de Santo Antão: Protegendo a Biodiversidade da Ilha
Santo Antão contém cinco áreas protegidas designadas que servem como regiões ecológicas distintas. Vamos conhecê-las!
As Cinco Áreas Protegidas de Santo Antão
Parque Natural de Cova / Paul / Ribeira da Torre
Localizado no nordeste húmido, este parque inclui a cratera vulcânica da Cova e o luxuriante Vale do Paul.
Parque Natural de Moroços
Contém uma porção significativa da flora endémica da ilha.
Parque Natural do Tope de Coroa
Situado no oeste árido, este parque rodeia o pico mais alto da ilha (1.979m) e é constituído por cones vulcânicos.
Parque Natural Marinho da Cruzinha
Localizado na costa norte, esta é a única área protegida que representa ecossistemas costeiros e dunas na ilha.
Paisagem Protegida das Pombas
Uma área de paisagem protegida localizada dentro do município do Paul.
Parque Natural de Cova / Paul / Ribeira da Torre
O Parque Natural de Cova / Paul / Ribeira da Torre é uma área protegida situada na parte nordeste da ilha de Santo Antão. É reconhecido como o exemplo mais representativo de ecossistemas húmidos de montanha na ilha e serve como um centro crítico para a biodiversidade e agricultura.
Geografia e localização
O parque ocupa aproximadamente 20,92 km² (2.092 hectares) e está situado na convergência de três municípios: Porto Novo (15,1%), Paul (42,6%) e Ribeira Grande (42,3%). O terreno é extremamente acidentado, com altitudes que variam de aproximadamente 400 metros na área de Xôxô até 1.585 metros no Pico da Cruz, o ponto mais alto dentro do parque.
Esta região beneficia de um clima húmido devido à sua exposição aos ventos alísios e altitude elevada, que facilitam a formação de bancos de nevoeiro e precipitação orográfica. Esta humidade contrasta fortemente com as partes áridas do sul e oeste da ilha, permitindo cursos de água permanentes e vegetação luxuriante.
Características geomorfológicas principais
O parque é definido por três características geológicas primárias:
Cratera da Cova
Uma caldeira vulcânica com um diâmetro de aproximadamente 1.000 metros, localizada a uma altitude de 1.170 metros.
Uso: A base da cratera é utilizada para agricultura de sequeiro, especificamente para o cultivo de milho e feijão.
Hidrologia: A Cova desempenha um papel vital no equilíbrio hídrico da ilha. A infiltração da água da chuva dentro da cratera alimenta nascentes de água doce que sustentam a irrigação nos vales mais baixos.
Vegetação: As encostas viradas a sul são florestadas com espécies introduzidas como pinheiros e ciprestes, enquanto a vegetação natural e semi-natural agarra-se às paredes viradas a norte e nordeste.
Vale do Paul (Ribeira do Paul)
Descrito como um dos vales mais verdes e luxuriantes do arquipélago, apresenta um curso de água permanente e um microclima que suporta agricultura intensiva. As paredes do vale são extremamente íngremes, necessitando o uso de terraços agrícolas.
Ribeira da Torre
Um vale profundo e precipitoso caracterizado por falésias e escarpas íngremes que descem do planalto central em direção ao mar.
Biodiversidade
O parque é considerado o maior centro de diversidade de plantas endémicas do arquipélago de Cabo Verde.
Flora: Um total de 36 espécies endémicas foram identificadas dentro do parque, 16 das quais estão na Lista Vermelha de espécies ameaçadas.
Espécies Nativas: Endémicas notáveis incluem Carex antoniensis, Conyza pannosa, Tornabenea insularis, Euphorbia tuckeyana (Tortolho), Artemisia gorgonum (Losna) e Globularia amygdalifolia (Mato-botão).
Espécies Introduzidas: Áreas acima dos 1.200 metros, particularmente em torno da Cova e do Pico da Cruz, apresentam florestas densas de espécies introduzidas como eucaliptos, Grevillea robusta e espécies de acácias.
Fauna: O parque fornece habitat para répteis como o lagarto Chioninia fogoensis e a lagartixa Tarentola caboverdiana. É também um habitat crítico para espécies de aves, incluindo o Milhafre de Cabo Verde (Buteo bannermani), o Andorinhão de Cabo Verde (Apus alexandri) e o Freira do Bugio (Pterodroma feae), que nidifica nas escarpas íngremes.
Economia e turismo
O parque é um centro para turismo baseado na natureza e agricultura:
Agricultura: A área é vital para a produção agrícola, incluindo cana-de-açúcar (usada para a produção de grogue), café, inhame, mandioca, bananas e mangas. A interação entre a engenharia humana (terraços e irrigação) e o ambiente natural valeu ao parque o Prémio Internacional Melina Mercouri da UNESCO em 2019.
Caminhadas: O parque oferece algumas das rotas de trekking mais populares de Cabo Verde, como a descida da Cratera da Cova para o Vale do Paul e trilhos que ligam a Ribeira da Torre à Ribeira Grande.
Desafios de conservação
Apesar do seu estatuto protegido, o parque enfrenta ameaças como a propagação de espécies vegetais invasoras (por exemplo, Lantana camara e Furcraea gigantea) e a necessidade de medidas de conservação do solo para combater a erosão nas encostas íngremes.
Parque Natural de Moroços
O Parque Natural de Moroços serve como um reservatório crítico para a biodiversidade de Santo Antão, contendo uma concentração notável da flora endémica da ilha. Localizado na região central da ilha dentro do Planalto Leste, o parque ocupa aproximadamente 818 hectares, variando em altitude de 500 metros no Vale da Garça até 1.767 metros no Gudo de Moroços.
Riqueza da flora endémica
O parque é reconhecido por deter uma porção significativa da diversidade vegetal do arquipélago:
Alta Representação: Contém aproximadamente 65,9% das espécies vasculares endémicas (pteridófitas e espermatófitas) encontradas na ilha de Santo Antão.
Angiospérmicas: O parque alberga 54% das espécies de plantas angiospérmicas endémicas de Cabo Verde.
Contagem de Espécies: Inventários identificaram 31 espécies endémicas dentro dos limites do parque. Das 44 espécies inventariadas em zonas específicas do parque, 24 (53%) foram aceites como endémicas cabo-verdianas.
Espécies endémicas principais
Moroços é notável por manter comunidades de plantas que estão muito próximas da vegetação natural original da ilha. Espécies endémicas proeminentes encontradas aqui incluem:
Espécies Arbustivas: O parque apresenta grandes populações de Nauplius daltonii ssp. vogelii (Marcelinha), Diplotaxis antoniensis (Mostarda-brabo) e Helianthemum gorgoneum (Piorno-de-flor-amarela). Outros arbustos dominantes incluem Globularia amygdalifolia (Mato-botão), Campylanthus glaber ssp. glaber (Alecrim-brabo) e Euphorbia tuckeyana (Tortolho).
Plantas Medicinais e Forrageiras: Muitas destas endémicas, como Artemisia gorgonum (Losna) e Periploca laevigata ssp. chevalieri (Cor-cabra/Lantisco), são valorizadas localmente pela medicina tradicional.
Espécies Ameaçadas: Aproximadamente 38% das espécies endémicas no parque estão listadas na Lista Vermelha de Cabo Verde e Santo Antão. Especificamente, 12 espécies endémicas dentro do parque são consideradas ameaçadas na ilha, incluindo Conyza pannosa, Tornabenea bischoffii e a rara espécie arbórea Sideroxylon marginata (Marmulano).
Factores ecológicos e ameaças
A diversidade da flora do parque é impulsionada por uma sequência de zonas climáticas, transitando de zonas áridas de alta altitude para áreas sub-húmidas nas escarpas da Ribeira da Garça e Ribeira Manequim. No entanto, esta biodiversidade enfrenta pressões de:
Espécies Invasoras: A vegetação nativa é ameaçada por espécies exóticas introduzidas para silvicultura, como acácias, pinheiros e eucaliptos, bem como invasoras como Lantana camara.
Actividade Humana: O pastoreio livre (particularmente de cabras) e o corte de plantas para forragem representam riscos contínuos para a regeneração da vegetação natural.
Resumo: As Áreas Protegidas de Santo Antão
As cinco áreas protegidas de Santo Antão servem para preservar a biodiversidade única da ilha, desde os ecossistemas húmidos de montanha no nordeste até aos ambientes vulcânicos áridos no oeste, passando pelos ecossistemas costeiros no norte. Estas áreas são essenciais para a conservação da flora e fauna endémicas, ao mesmo tempo que suportam a agricultura tradicional e o turismo de natureza.
